quarta-feira, 17 de setembro de 2008

'Não posso adiar o amor para outro século'


Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

não posso adiar o coração.

António Ramos Rosa



Para o M.



3 comentários:

NF disse...

Eu não "adio", elimino, simplesmente.
É de cobarde, mas magoa menos assim, talvez.
Um beijinho, oh bela :)*

NF disse...

Só hoje é que li o poema com olhos de ler e vi para quem era, desculpa*

m. tiago paixão disse...

:)
optima escolha...
beijo